Faz tempo que os amantes das produções de ficção científica não tinham um ano como 2016.

Ainda recuperando o fôlego de Interestelar (simplesmente espetacular) e Perdido em Marte, os fãs do gênero ganharam um filme pra fechar o ano com chave de ouro: A Chegada (The Arrival).

O selo Sony já podia adiantar que o filme não vinha pra brincadeira, mas a mão de Eric Heisserer, roteirista do filmes, surpreendeu até mesmo os que tinham as melhores expectativas.

Longe de se enquadrar nas narrativas clichês sobre extraterrestres, A Chegada conta uma história complexa, verossímil e sob uma ótica em que as peculiaridades das relações entre diferentes grupos chamam muito mais atenção que os tentáculos dos amigos alienígenas.

Mais que narrar uma simples invasão, a produção aborda temas interessantíssimos como a importância da comunicação para todas as esferas da vida, terrestre e extraterrestre, as dificuldades de não ter um líder comum à todo o planeta e, acima de tudo, quão prejudicial pode ser o individualismo de uma nação, feito das diferenças culturais, frente à ameaças que envolvam toda a Terra.

Falando dos aspectos técnicos, o filme dá um verdadeiro show de fotografia, permitindo uma profunda imersão nas cenas bem elaboradas da produção. Além disso, a sonoplastia é comedida e sóbria, permitindo que o filme explore a temática alienígena sem transparecer qualquer apelo. Por fim, o elenco. Ah, essa pode ser considerada a “cereja do bolo”. Amy Adams e Jeremy Renner, protagonistas da trama, conseguem dar um show ao falar sobre todas as profundas facetas físicas e linguísticas do enredo como verdadeiros profissionais, mas sem perder a leveza que é exigida para transparecer as contundentes emoções de fazer parte de algo tão grandioso como aquele momento.

Para quem é curioso em física e lógica, o filme é cheio de services. E parece que essa tem sido a grande aposta do gênero nesse ano. Tanto Interestelar quanto A Chegada são filmes que enchem os olhos dos verdadeiros admiradores da ficção científica que sabem que a ciência por si só, sem a necessidade de adereços, pode pautar histórias espetaculares.

Em resumo, A Chegada é um espetáculo aos olhos e, principalmente, à mente. Se é que seria justo destacarmos um ponto negativo no filme, seria sua duração, curta demais para desenvolver a história na medida em que ela merece. Mas, sem duvida, a Sony lacrou o final do ano nas telonas brasileiras. E que venha 2017!

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