O ano é 1785, o local, uma pequena vila próximo de Washington D.C chamada Blair, onde crianças afirmam que uma mulher as atraia para casa onde realizava experimentos e coletava sangue. Elly Kedward, principal suspeita, é acusada e banida da vila, mas não sem antes rogar uma praga no vilarejo, amaldiçoando a todos. O que vem a seguir é uma sucessão de mortes, desaparecimentos e acontecimentos sinistros, dando início à famosa lenda da Bruxa de Blair.

Com base nessa história assustadora, foi lançado, em 1999, o filme A Bruxa de Blair. Orçado em US$ 60 mil e com arrecadação de US$ 248 milhões nos cinemas mundiais, o filme inovou e consolidou definitivamente o gênero Found Footage, onde as imagens são retiradas de uma gravação amadora em formato de documentário realizado pelos personagens. Na época, o diretor orientou os atores, os soltou na floresta e passou breves orientações através de walkie talkies. Os próprios atores filmaram todo o longa em suas gravadoras.

Dezessete anos depois e com todo um suspense envolvido desde o lançamento do primeiro filme, uma nova produção sobre a bruxa de blair foi anunciada na San Diego Comic Con, dois meses antes do lançamento.

A trama atual situa-se 16 anos após o desaparecimento de Heather, irmã do protagonista James, nas florestas de Blair. Motivado pelo descobrimento de um vídeo que relata estranhos acontecimentos em uma casa no meio da floresta, o jovem decide então reunir alguns amigos e sair à procura da irmã. Uma de suas amigas, decide acompanhar a trupe e gravar um documentário sobre a jornada. A empreitada parece promissora, especialmente quando eles recebem o apoio de um casal local (responsável pelo vídeo que motivou James) que conhece a área e se oferecem para guiar o grupo pela floresta.

Após ler o parágrafo anterior, qualquer pessoa que tenha assistido o clássico de 1999 constatará o óbvio: não há diferença alguma na história dos dois filmes. Sem contar que o novo filme praticamente ignora o fato de que houve uma continuação oficial da primeira produção (Bruxa de Blair – O livro das Sombras), que, diga-se de passagem, foi um fracasso de bilheterias. A única coisa que poderia ser apontada como diferencial do filme atual é o excessivo uso de todo um aparato tecnológico para realizar o documentário de forma digital, afinal agora temos drones, câmeras de ação nos capacetes, GPS e todos os equipamentos necessários (que no fim não servem de muita coisa).

Nem os recursos orçamentários maiores ou o arcabouço tecnológico atual foram o bastante para fazer com que o filme cumprisse seu papel. Ainda em comparação com o primeiro filme, não temos improvisos dos atores ou aquela pegada “vintage”, mas sim uma série de truques de câmeras forçados e cenas planejadas. Além disso, os personagens parecem perder facilmente a própria motivação da jornada, transparecendo que os personagens estão mais interessados nas imagens que em encontrar Heather. O enredo é tão raso e o filme demora tanto a mostrar alguma ação que os mais cansados facilmente cairão no sono nos primeiros 30 minutos no cinema.

Há de se considerar que o found footage não tem o mesmo peso de novidade que tinha em 1999, o gênero já foi bastante utilizado de lá pra cá, e isso talvez explique porque a repetição das mesmas estratégias utilizadas no primeiro filme ocasionou a decepção das bilheterias dessa estreia: US$ 9,65 milhões em seu primeiro fim de semana. Bem longe da marca de US$ 20 milhões que o estúdio esperava arrecadar. Entretanto, nós do Pipoca acreditamos que bons filmes sempre podem surgir, ainda que bebendo de fontes clássicas. Basta um foco maior na qualidade de produção que a ânsia do retorno financeiro.

Conclusão: o longa funciona em alguns de seus sustos, mas sempre através dos mesmos mecanismos clichês: barulho alto repentinamente, corte seco entre um susto e outro e afins. Quem não é fã do gênero pode até se assustar facilmente, mas quem já está acostumado com o suspense de um bom enredo e cenas bem elaboradas, procurando no gênero sempre algo novo, o filme é raso, fraco e faz jus a sua classificação de, pasmem, 12 anos.

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