Diferente dos demais episódios da sexta temporada, “The Door” apressou-se a apresentar algumas respostas, dar novas direções e, pasmem, render uma única morte. Apesar de manter a linha “parada” dos últimos episódios, o quinto capítulo faz com que o título tenha um peso, ou melhor, um pesar muito diferente para os que já o assistiram. Vale ressaltar que a série ultrapassou o livro, sendo assim agora o destino dos personagens agora é ditado pelo enredo da série, que segue firme na orientação de George Martin.

ATENÇÃO: o texto abaixo contém spoilers do último capítulo

Que George é um assassino literário em série todos já sabemos, mas a maestria com que as baixas são apresentadas continua a impressionar. A sensação que permanece é de que, como na realidade, cedo ou tarde todos terão sua vez. Ontem foi a de Hodor (Kristian Nairn). Apesar de simpático, o personagem teve maior destaque já nesta temporada, tendo sido até então um mero coadjuvante na saga de Bran (Isaac Hempstead Wright) em busca do corvo de três olhos.

Hodor sempre foi incapaz de pronunciar outra palavra além seu nome, embora o motivo dessa limitação só tenha sido revelado no episódio deste domingo. “Hold the door”! As últimas palavras ouvidas por Hodor foram, na verdade, de maneira “balbuciante”, suas únicas palavras desde o início de sua caminhada com a família Stark. O triste desfecho da história do personagem dá-se em meio a mais um de seus muitos atos heroicos de proteção: o gigante segura uma porta que impede que os caminhantes brancos alcancem o jovem Stark e Meera que fugiam em meio a neve. Embora a cena por si só já tenha seu apelo emocional, o fator mais impressionante fica por conta do flashback vivido por Bran durante o momento. Na visão, o jovem Hodor vai ao chão (em uma situação semelhante a uma crise epilética) balbuciando repetitivamente a frase “hold the door” (segure a porta) que, em meio ao descontrole, torna-se “Hodor”.

Flertando ainda mais com os aspectos místicos da série, o roteiro agora admite oficialmente a possibilidade de que os flashbacks de Bran possam alterar a linha do tempo, tendo influência direta nos acontecimentos do tempo presente. Foi assim com Hodor. Sua limitação na verdade foi imposta durante a aparição do jovem Stark, em sua visita do futuro, e repercutiu até o presente, onde a amizade cobraria seu preço e consumaria seu heróico destino.

Demais núcleos

Diferente da veia criativa comum a serie, o último capítulo foi repleto de clichês e alguns direcionamentos bastante óbvios, o que evidencia ainda mais a trajetória final do enredo.

Daenerys (Emilia Clarke) tem uma rápida participação em que aparece junto a Daario e Jorah em uma espécie de reunião, onde o Ândalo revela sua doença e a rainha o ordena que parta em busca da cura. Ainda no núcleo além-Westeros, Tyrion e Varys, em busca de apoio para retomar o controle de Mereen, se reúnem com a nova sacerdotisa vermelha Kinvara.

Continuando com seu treinamento e aparições apáticas desta temporada, Arya (Maisie Williams) recebe uma nova missão de seu mestre: executar uma atriz de Braavos. Embora a “garota sem nome” siga decidida em servir ao “deus das mil faces”, Arya parece desconfortável em executar uma pessoa sem sequer saber o motivo.

Em Castle Black, Sansa (Sophie Turner) encontra-se com Mindinho (Aidan Gillen) que a alerta da possibilidade dos Tully se aliarem à jovem Stark e seu meio-irmão Jon Snow (Kit Harrington) em sua jornada para reconquistar Winterfell. Sabendo disso, Sansa envia Brienne (Gwendoline Christie) para buscar os homens de seu tio. Destaque pra personalidade de Sansa, que vem se impondo e tomando para si a autoridade da família mais tradicional do Norte.

Em resumo, “The Door” cumpre seu papel de ordenar os fatos que vem sendo apresentados e estabelece o que parecem ser os destaques da história nessa temporada. Uma pergunta bem plausível que o episódio deixou no ar e que nós repassamos aos fãs é: afinal de contas, para onde foram os melhores barcos das ilhas de ferro?

 

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